Agente cultural / Detentor de saber
Debora Shynara Marques Lopes
Papel social / Função cultural
Ano
2025
Bairro de atuação
Origem
Ancuri, Fortaleza, Ceará
Descrição
A trajetória de Débora Shynara Marques Lopes está profundamente entrelaçada à história cultural do bairro Ancuri e, em especial, à quadrilha junina Luz do Sertão. Sua atuação se inscreve no campo das iniciativas comunitárias protagonizadas pela juventude, nascidas da necessidade de criar espaços de acolhimento, pertencimento e formação em um território marcado por vulnerabilidades sociais, mas também por fortes vínculos coletivos.
Débora participou da criação e da consolidação da quadrilha Luz do Sertão, surgida no âmbito da paróquia local, com o objetivo inicial de retirar jovens da rua e integrá-los às atividades da igreja por meio dos ensaios e apresentações juninas. Desde o início, a quadrilha foi pensada como uma estratégia de mobilização juvenil, em que cultura popular, fé e convivência comunitária se articulavam como formas de cuidado e orientação para os jovens do bairro.
A Luz do Sertão foi fundada com um propósito claramente evangelizador, expresso tanto nos temas escolhidos quanto na forma de organização do grupo. Ao mesmo tempo, a quadrilha ampliou o espaço da igreja, incorporando de modo mais aberto elementos da tradição nordestina e da cultura popular às práticas religiosas. Os ensaios, encontros e apresentações passaram a funcionar como momentos de socialização, escuta e fortalecimento dos laços comunitários, transformando a paróquia em um território seguro para a juventude.
Ao longo de aproximadamente dez anos de atuação, a quadrilha foi sustentada quase integralmente pelo engajamento de jovens do próprio bairro. Débora destaca o caráter coletivo da iniciativa e a importância de diferentes agentes na sua construção, como Maicon, responsável pelas coreografias, Karine — que deu nome à quadrilha —, além de Rayane, Dennis, Buscato e muitos outros jovens que fizeram a Luz do Sertão acontecer. A quadrilha se consolidou como um projeto “de jovem para jovem”, no qual a participação ativa era tanto um aprendizado cultural quanto um exercício de responsabilidade e pertencimento.
