Agente cultural / Detentor de saber
Cirlei Rodrigues da Silva (Mãe Bia de Pombagira) e Paulo Ricardo Rodrigues da Costa (Pai Ricardo de Xangô
Papel social / Função cultural
Casa de santo | Dirigentes de terreiro | Entidades espirituais cultuadas | Filhos e filhas de santo
Ano
2025
Bairro de atuação
Origem
Barra do Ceará, Fortaleza, Ceará
Descrição
A trajetória de Cirlei Rodrigues da Silva, conhecida como Mãe Bia de Pombagira, inicia-se ainda na infância, quando relatou experiências espirituais intensas que não eram compreendidas em ambientes religiosos tradicionais. Após episódios de adoecimento e manifestações espirituais, foi encaminhada a um centro de Umbanda, onde reconheceu sua vocação mediúnica e passou pelo processo de desenvolvimento espiritual que culminou em sua consagração como mãe de santo há mais de quatro décadas.
Ao lado de Paulo Ricardo Rodrigues da Costa, Pai Ricardo de Xangô, estruturou o Centro Espírita de Umbanda General de Brigada e Rainha Pombagira, inicialmente sem intenção de fundar um terreiro, mas motivados por orientações espirituais. O espaço consolidou-se como referência na Barra do Ceará, articulando rituais, festas tradicionais e ações sociais.
Mãe Bia destaca o uso de ervas medicinais como prática de cuidado integral, entendendo saúde como dimensão física, emocional e social. O terreiro tornou-se espaço de acolhimento frente a situações de depressão, vulnerabilidade e conflitos familiares.
Pai Ricardo reforça a dimensão de luta e resistência do espaço, situado em território historicamente marcado pela presença indígena e afrodescendente. Ambos expressam o desejo de preservar a memória do local por meio da transmissão oral aos filhos de santo e da possibilidade futura de criação de um memorial.
A história de vida narrada revela compromisso com a ancestralidade, com a continuidade da tradição umbandista e com a construção de um espaço de amor, acolhimento e resistência cultural na periferia da cidade.
