Título
TRANSCRIÇÃO - Registro textual de entrevista sobre a capoeira com Antônio Robson de Souza - Robinho Graúna - 2025
Nome do arquivo
2025_01_ppt_ancuri_ent_capoeira_ars
Integrantes do projeto
Papel social / Função cultural
História de vida
Robinho Graúna relata que iniciou sua trajetória na capoeira em 1988, a partir de sua participação em um projeto social desenvolvido na comunidade onde vive. Define-se como “cria de projeto social” e afirma que sua formação na capoeira está profundamente vinculada às experiências coletivas vividas no território. Seu primeiro mestre foi o mestre Assis, com quem mantém vínculo contínuo há cerca de 37 anos, reconhecendo nele uma referência central em sua formação pessoal e na consolidação de sua trajetória como capoeirista.
A história da capoeira em sua vida se confunde com a história da própria comunidade. Robinho recorda que a prática teve início em um projeto ligado à igreja local, trazido pelo Padre Luiz, e articulado com um grupo de consciência negra que atuava no território. Esse grupo, voltado ao enfrentamento do racismo e do preconceito, encontrou na capoeira uma forma de fortalecer a identidade cultural afro-brasileira e de resgatar memórias e histórias da comunidade.
Ele relata que, no bairro Ancuri, especialmente na região do Santa Maria, o trabalho com a consciência negra começou também em 1988, com o grupo Filhos da África, que posteriormente passou a integrar o Movimento Negro Unificado (MNU – Seção Ceará). A capoeira, nesse contexto, não surge de forma isolada, mas como desdobramento direto da atuação do movimento negro no território, mantendo até hoje uma ligação estreita com essas lutas e referências políticas e culturais.
Robinho destaca que sua trajetória como capoeirista foi construída em meio a dificuldades estruturais, especialmente a falta de recursos e de apoio institucional. Relata que a manutenção do trabalho com a capoeira na comunidade ocorre, em grande parte, por esforço coletivo e autônomo, sem apadrinhamento ou incentivos governamentais contínuos. Essa condição reforçou uma postura de resistência e de organização comunitária, sintetizada na ideia de que o trabalho se sustenta pelo princípio do “nós por nós”.
Ao longo de sua trajetória, Robinho construiu sua identidade como mestre de capoeira articulando memória, pertencimento e compromisso com a comunidade. Ele compreende a capoeira como herança do povo negro e como legado que precisa ser mantido e transmitido, reconhecendo-se como parte de uma cadeia histórica de mestres, movimentos e práticas que conectam passado e presente no território onde atua.
Gênero documental
Referência item (ABNT)
SOUZA, Antônio Robson de. Entrevista em vídeo sobre a capoeira. 2025. Vídeo (entrevista). Projeto Patrimônio para Todos – Uma aventura através das memórias, iniciativa de educação patrimonial desenvolvida pela Escola de Artes e Ofícios Thomaz Pompeu Sobrinho, integrante da rede pública de equipamentos culturais da Secretaria da Cultura do Ceará, em parceria com o Instituto Dragão do Mar e a Secretaria da Educação do Ceará.
Ano
2025