Título
FIRC_Ficha de Identificação das Referências Culturais. 2025 -Engenheiro Luciano Cavalcante - Expressões Culturais - Ana Cristina C. Matos
Nome do arquivo
2025_02_ppt_luciano_cavalcante_firc_ana_cristina
Integrantes do projeto
Papel social / Função cultural
Acolhimento social | Afirmação cultural | Agente cultural | Articulador comunitário | Espaço comunitário | Espaço de devoção | Experiência compartilhada | Formação comunitária | Fortalecimento comunitário | Guardiã de memória | Identidade comunitária | Linguagem de resistência | Memória afetiva | Memória comunitária | Mobilização social | Organização comunitária | Prática de convivência | Referência afetiva | Referência comunitária | Símbolo de mobilização | Símbolo de resistência
História de vida
A história de vida de Ana Cristina está profundamente ligada ao bairro Luciano Cavalcante, onde nasceu, cresceu e construiu sua trajetória pessoal e comunitária. Ao falar de si, ela associa imediatamente sua identidade ao território, à infância vivida no bairro e ao desejo antigo de contribuir para que a comunidade cresça e tenha mais oportunidades. Sua narrativa apresenta uma vida marcada tanto pelo pertencimento quanto pela responsabilidade de cuidar do lugar onde vive.
Ao longo de mais de vinte anos de moradia e convivência no bairro, Ana Cristina desenvolveu um vínculo afetivo e político com a comunidade. Ela relata que sua maior lembrança do território está ligada ao período de construção das casas, quando os moradores se organizaram em mutirão para garantir moradia e permanência no local. Essa memória da luta coletiva pelo teto aparece como referência decisiva em sua forma de compreender o bairro: um espaço construído com esforço comum, solidariedade e resistência.
Sua atuação social nasce da própria experiência de sofrimento. Ana Cristina relata ter enfrentado violência, abuso, fome e um quadro de depressão. Em vez de encerrar sua trajetória nessas marcas, ela transformou essas vivências em impulso para agir em favor de outras pessoas. Foi dessa experiência que surgiu a ideia de trabalhar no social, começando do zero, sem apoio institucional e lidando inclusive com crises pessoais no início da caminhada. Em determinado momento, passou a se fantasiar de palhaço para levar alegria às crianças de sua comunidade e também de outros territórios, convertendo dor em acolhimento e presença.
Há dezesseis anos ela mantém um projeto social voltado a crianças, idosos e famílias, com ações que ultrapassam os limites imediatos do bairro. O trabalho inclui festas infantis, arrecadação e distribuição de brinquedos, contação de histórias, colônias de férias, entrega de sopão na madrugada, recebimento e repasse de lanches e apoio a comunidades vizinhas. Ana Cristina também recupera brinquedos usados para que possam voltar a circular entre as crianças. Tudo isso é realizado por meio de campanhas solidárias, rifas, pedidos de contribuição e mobilização pelas redes sociais.
Outro aspecto importante de sua trajetória é a preocupação com a autonomia econômica das famílias. Ela relata a articulação para levar à Regional 7 a Praça Gastronômica do Luciano Cavalcante, vista como oportunidade de renda para mães, pais de família e adolescentes da comunidade. Desse modo, sua história de vida não se restringe à assistência imediata, mas envolve também a criação de caminhos para que outras pessoas possam se manter com dignidade.
Ao falar do presente e do futuro, Ana Cristina insiste que o maior desafio é a falta de apoio. Ainda assim, afirma seguir sustentada pela ajuda dos moradores, pela fé e pela convicção de que o trabalho social pode abrir a mente das crianças e inspirar outras pessoas a agir. Seu recado às gerações futuras é para que amem mais, abracem mais e julguem menos, reconhecendo o valor de quem atua voluntariamente em favor do coletivo.
A história de vida de Ana Cristina revela uma liderança comunitária construída a partir da experiência direta com a vulnerabilidade, da memória da luta por moradia e da persistência em transformar o bairro em um espaço de esperança. Sua trajetória se confunde com a história recente do Luciano Cavalcante e expressa um patrimônio vivo de solidariedade, cuidado e mobilização popular.
Gênero documental
Referência item (ABNT)
MATOS. Ana Cristina C. Entrevista em vídeo com Ana Cristina C. Matos moradora do bairro Engenheiro Luciano Cavalcante há mais de vinte anos atuante em iniciativas comunitárias voltadas ao cuidado social. 2025. Vídeo (entrevista). Projeto Patrimônio para Todos – Uma aventura através das memórias, iniciativa de educação patrimonial desenvolvida pela Escola de Artes e Ofícios Thomaz Pompeu Sobrinho, integrante da rede pública de equipamentos culturais da Secretaria da Cultura do Ceará, em parceria com o Instituto Dragão do Mar e a Secretaria da Educação do Ceará.
Ano
2025